Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

COREOGRAFIA DAS DANÇAS - PAULITEIROS

«LS OUFICIOS I OUTROS LHAÇOS»

 

 

Pauliteiros de Sendim

 

      Cada “lhaço” é dançado no geral, quatro vezes e no fim os dançadores, já sem bater os paus, dançam a “bicha”, que é uma dança, em que os dançadores, dançando e tocando as castanholas, vão em duas filas na direcção do público, abrindo cada fila para seu lado, na frente do palco, voltando a fazer uma fila na direcção contrária. Acabam dando um salto, ficando voltados cara com cara as duas filas.

 

    Porque achamos de interesse, vamos ainda dar uma explicação de três “lhaços”.

 

    “Ls Oufícios” – Neste “lhaço”, como o nome indica, são representados quatro ofícios que cada grupo acha mais usuais ou representativos da actividade da sua terra.

      Em Sendim, os quatro ofícios que se costumam apresentar são os de ferreiro, carpinteiro, barbeiro e ferrador.

       No fim de cada dança, cada par, uma guia e um peão, representam o seu ofício.

       Um par faz o ferreiro, o peão põe os paus na horizontal e a guia com os paus juntos simula malhar o ferro, batendo nos paus do peão.

       Outro par faz o carpinteiro, o peão põe os paus na horizontal e a guia na vertical e movimentando os paus um para cima e o outro para baixo, simulam serrar.

       Outro par faz o barbeiro, o peão põe os paus atrás, na vertical, seguros pelas mãos, e senta-se neles, enquanto a guia simula fazer-lhe a barba, servindo um pau de navalha e o outro de afiador.

       O outro par faz de ferrador, o peão faz de “burro”, inclinado para a frente, apoiado sobre os dois paus, levanta uma perna para trás e a guia segura a perna com um pau e com o outro simula ferrar. Aqui o peão pode simular dar um coice, a guia simula tirar o casco, bater na sola. É tudo uma questão de imaginação.

 

     “Las rosas” – Este “lhaço” é apenas dançado, não se utilizando os paus. Ao som da gaita-de-foles e tocando as castanholas, os pauliteiros dançam a “bitcha”. Mas, quem melhor que o nosso conterrâneo, Pe. Mourinho, para descrever esta dança?

      «Esta só se faz em volta de um alqueire de trigo cogulado, sobre o qual espetam uma estaca de que pende abundante fumeiro de carne de  porco e se coloca um jarro de vinho.

      Os dançantes executam, várias voltas circundando a oferta; no tempo devido, vêm de dois em dois celebrar a festa, dançando e sacudindo os pés, sobre a valiosa esmola, como que em bênção ou exorcismo o que me parece a transformam e definem como uma autêntica dança ritual. Dela já recolhi várias e boas imagens que oportunamente serão publicadas com texto mais desenvolvido.» 

     

      O “salto ao castelo” ou “assalto ao castelo” é uma dança sem paus e em que depois de dançarem a “bitcha” os peões de cada fila se colocam um aos ombros do outro, fazendo dois pilares voltados um para o outro, no meio do palco. Ao mesmo tempo as guias dançando, dois de um lado e dois do outro, preparam o momento do salto.

     O gaiteiro dá um sinal com a gaita-de-foles, uma das guias toma balanço para saltar, enquanto as outras se juntam aos pilares feitos pelos peões, ficando uma a fazer de “burro”, no meio, e as outras duas, cada uma de seu lado, encostadas ao burro, esperam pelo saltador.

    Este, ajudado pela guia do seu lado, salta pelo meio, dando uma cambalhota e indo cair do outro lado, onde a outra guia o ajuda a ficar em pé.

 

                    

    Formam as filas novamente e dançam a “bitcha”.

      

     Isto é o essencial para se entender a dança e poder apreciá-la melhor.

 

     A coreografia é muito variada e os “lhaços” conhecidos são mais de 50 (cinquenta), mas costumávamos dizer, nos ensaios, os “lhaços” não têm fim, pois pode sempre criar-se mais um.

     Veja-se o “lhaço” do Hino Nacional, dançado na inauguração da Casa da Criança Mirandesa(1957) e que tanto escandalizou o Padre Dr. António Mourinho, na altura. Mas o que é certo, é que só um grande conhecedor da dança e de todas as suas coreografias conseguia ensaiar um grupo para o dançar. José Pires Mourinho, irmão mais velho do Padre Dr. António Maria Mourinho, conseguiu-o.

 

sinto-me: contente
música: la bitcha
publicado por mirandum às 13:35
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Terça-feira, 12 de Junho de 2007

PAULITEIROS - COREOGRAFIA

PAULITEIROS - COREOGRAFIA

VARIANTES

      Porque julgamos relevante, vamos dar uma explicação das principais variantes que se encadeiam durante a dança de um “lhaço”. Há “lhaços” que têm várias e outros apenas uma ou duas. O início, a passagem e a “bitcha” é que são praticamente comuns a todas.

    O grupo é constituído por oito pauliteiros que se dispõem em duas filas paralelas. Os pauliteiros das pontas são as guias e os de dentro são os peões.

    Isto é importante saber-se para se poder dançar bem, já que os peões, por regra, nunca podem deixar as suas respectivas guias.

     As duas guias de cada ponta e os seus peões fazem a quatrada.

 

      Quatrada – Os quatro pauliteiros que formam a quatrada trocam entre si de posição, batendo os paus, acabando sempre por ocupar a posição inicial. A quatrada pode fazer-se com ou sem paragem a seguir a cada vez que se cruzam os pares, ou em movimentos seguidos.

 

      Corrida – Os guias de uma ponta, levando atrás todos os dançadores da sua fila vão na direcção da outra ponta, em círculos ovais, batendo com os paus e regressando ao seu lugar inicial.

 

      Guias adentro e peões afora – Os peões rodam, um quarto de volta, na direcção do centro das filas, batendo os paus e dando um passo lateral e para fora, vão ocupar o lugar das guias (fora), deixando espaço para estas, que rodando ao mesmo tempo e no mesmo sentido, dão um passo em frente ocupando o lugar dos peões, ao meio (dentro), ficando de frente para as guias da outra extremidade das suas respectivas filas.

 

      Guias afora e peões adentro – Os peões e as guias fazem os movimentos contrários à dança anterior, como facilmente se deduz, indo ocupar os seus devidos lugares, já que os peões estão no lugar das guias e as guias no lugar dos peões. Guias afora e peões adentro.

 

    “Desvolta” por dentro e por fora – As filas estão voltadas uma para a outra, as guias e os peões batem os paus nos que têm em frente (peão com peão, guia com guia), cada guia volta-se para o seu peão que por sua vez se volta para a sua guia e batem com os paus. Os peões continuam a rodar na mesma direcção e vão ficar de frente para o outro peão da sua fila com quem batem os paus. As guias acompanham o movimento dos peões e saltando vão bater nas guias da sua fila, fazendo uma fila perpendicular à primeira. Fazem o movimento inverso e regressam aos seus lugares, batendo sempre os paus.

      As guias podem ainda, ao bater guia com guia, cruzarem e irem bater os paus com os peões das outras guias e saltando irem bater com as guias da sua fila, mas já no outro extremo das filas.

 

      Guias em volta – Os peões juntam-se ao meio, costas com costas e em movimento contrário às guias, vão aparando, com os paus o batimento dos paus das guias que rodam em volta deles. Ou fazem passes, esquerda, direita.

 

      A passagem acontece no fim de cada dança, em que os dançadores de uma fila passam pelos da outra, indo formar duas filas perpendiculares às iniciais, batendo sempre os paus.

 

    Cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso”, diz o ditado, também estes passes de dança têm várias formas de interpretação e nós não nos julgamos como os mais entendidos, mas foi assim que aprendemos. Mesmo o nome pode divergir, bom seria analisar “lhaço” por “lhaço” e descrever a coreografia deles com as variantes de terra para terra.

 

publicado por mirandum às 21:04
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